FETIC. Continuação

by Jenner Maciejewsky 30. março 2007 02:09

Foi realizado nos últimos 2 dias (28 e 29) na Escola de Governo do Estado do Pará o FETIC - Fórum Estadual de Tecnologia da Informação e Comunicação, organizado pela SUCESU/PA, AUSLA, SINDPD, Câmara de Informática da ACP, Parasoft e apoios da Casa Civil do Governo do Estado e PRODEPA e que também contou com a presença de ONGS e Grupos de Usuários, como no caso do Grupo ms-bel e de várias entidades representativas do setor ou com interesse. O FETIC que teve a finalidade de reuni esses atores para discuti alguns assuntos que já vem sendo discutidos entre as várias entidades representativas de TIC, assuntos esses que consideramos importantes que o Estado deva participar e definir melhores políticas para o setor, políticas que venham viabilizar o crescimento do setor principalmente em nosso estado.

 

O Fórum foi dividido em 3 temas (Software Livre, Inclusão Digital e Desenvolvimento Tecnológico) e em cada 1 dos Temas propostos vários pontos foram discutidos, alguns já foram levados pela organização para que fossem apreciados. O Fórum foi bastante produtivo, mas em minha opinião não avançou tanto nem foi tão democrático como deveria seria, não que as entidades organizadoras tenham feito com tal intenção, afinal faço parte da Diretoria da SUCESU e acompanhei parte da organização do FETIC. Mas talvez a própria organização e os participantes não tenham percebido o quão polemico seriam alguns assuntos e quão importante também seria essa discussão que deixou passar despercebido que talvez algumas discussões prévias fossem necessárias e importantes que realizassem.

 

Porque considero que deveria haver uma discussão prévia? Um dos temas propostos, o de Desenvolvimento Tecnológico que é de interesse, pode se dizer, de todas as empresas e profissionais que trabalham com TIC. Um dos pontos desse tema é o Polo de Desenvolvimento de Software, pois muitos acreditam que será necessária a criação de um Polo em nossa região para alavancar o setor e trazer mais investimentos para cá. Eu sou um dos que acredita nessa possibilidade desde que o Polo seja criado para desenvolver Softwares que venham fazer diferença e não somente para desenvolver controles de estoque e caixas para empresas locais, se for assim o Polo poderá gerar renda, mas não trará os investimentos esperados.

 

Já que o Polo é tão importante e muitos não tem ainda uma visão do que seria um Polo , seria importante uma discussão prévia, não para discuti qual modelo seria melhor, mas para deixar todos ou a maioria com um entendimento melhor a respeito. Muita dúvida ficou para alguns participantes a respeito do Polo e até mesmo entre os que "entendiam" do assunto parecia que cada uma falava de assuntos diferentes. Mas o importante é que conseguimos avançar e sair da discussão sobre o Polo apenas entre aqueles que já vinham levantando a bandeira há pelo menos 10 anos, conseguimos incluir na discussão outras pessoas e levá-la ao conhecimento do Estado.

 

O Tema Software Livre, também foi um assunto polemico, pois se tratava de uma oportunidade da Comunidade de SL/CA tinha para levar a discussão para comunidade e a partir daí discuti se o SL/CA é ou não importante no contexto do nosso estado e se deveria ou não ser adotado pelo Governo. A discussão desse assunto é importante, válida e esclarecedora. Mas, mais uma vez, infelizmente, a discussão ficou apenas entre os que já defendiam o SL/CA, pouca participação dos que queriam entender melhor ou até mesmo daqueles que não consideram que o SL/CA deva ser adotado ou tenha preferencia no Governo, claro que isso também ocorre por que infelizmente as empresas do setor e que desenvolvem software com licenças restritivas parecem não se preocupar com o assunto ou não tomaram conhecimento do mesmo, e aí nem se quer aparecem para discussão, lamentável essa atitude das

empresas.

 

Em dado momento o Ezyo Lamarca e o Antônio Fonseca ambos representantes da AUSLA (Associação de Usuários de Software Livres e Abertos) chegaram a dizer que a Microsoft foi representada pelo Grupo MS-BEL em reunião que ocorreu uma semana antes na SUCESU e que chegamos a um acordo que o caminho tinha que ser aquele. Neste momento pedi a palavra para esclarecer, até mesmo para membros do Grupo ms-bel que ali estavam, que na realidade nós não concordávamos com o texto, mas que a maioria naquele momento vencera. Disse também que o ms-bel não estava representando a Microsoft, mas a comunidade local de profissionais, estudantes e empresários que utilizam os produtos da Microsoft e que juntos acreditamos que a maior LIBERDADE está em permiti a qualquer momento a livre discussão e escolha.

 

Mas por que o assunto Software Livre se tornou polemico ? Um dos pontos propostos tratava de 2 leis que vem sendo articulada já no meio politico há pelo menos 2 ou 3 anos, que vem justamente feri o que considero meus direitos de participar de qualquer licitação com aquilo que eu tenho de conhecimento ou de interesse. O texto da proposta foi:

 

"Uso preferencialmente do Software Livre pelo Governo do Estado definido em Projeto de Lei: A Comunidade de TIC viabilizará um esforço concentrado com o Vereador Adalberto Aguiar (autor do Projeto de Lei para o Munícipio de Belém), bem como com o ex-Deputado e atual Secretário de Educação Mário Cardoso (autor do Projeto de Lei para o Estado do Pará). Os sistemas a serem desenvolvidos pelo Governo do Estado ou para uso pelo Governo do Estado devem preferencialmente adotar licenças de Software Livre."

 

Alguns pontos do texto acima é preocupante para quem trabalha seja Comercializando seja Desenvolvendo software não livre, ou seja Licenças Proprietárias como normalmente é dito. O direito de empresas locais que comercializam licenças de produtos com Windows, SQL, Oracle, Delphi, Norton, PhotoShop e tantos outros, que já são de uso por parte de algumas secretarias, teriam sua participação limitada em licitações. Será que alguma empresa que comercializam esses software teriam os mesmos direitos sabendo que por lei a preferencia é por SL? E as empresas que desenvolvem softwares ? Essas até poderiam desenvolver softwares Livres pro Governo, uma vez que isso estaria determinado na contratação do serviço a ser desenvolvido, mas como ficariam as empresas locais que desenvolvem em Delphi ainda em versões para WIN32 ? Será que essas aplicações rodariam em um GNU/Linux ? Fica ai a pergunta para quem já conhece, pois eu não conheço a resposta.

 

E as empresas que depois de pesquisas desenvolveram ferramentas que são comercialmente viáveis a seu negocio, essas não poderiam então participar de licitações pois os Softwares para o Governo tem que ser preferencialmente SL/CA.

 

É claro que o termo PREFERENCIALMENTE não significa que seja somente SL/CA, mas para um bom entendedor as vezes uma única palavra basta para compreender.

 

Mas no Geral foi muito bom o fórum, um oportunidade para realmente colocar na mesa alguns pontos como os que aqui citei e a partir daí gerar uma discussão saudável e sempre preocupando com o nosso desenvolvimento, com o desenvolvimento de nossa região.

 

Fiquem atentos a partir de agora e acompanhem o desenrolar de tudo isso e mais o que terá por vir. Uma carta foi entregue ao Vice-Governador e outras estarão sendo entregues a outras autoridades e com isso começamos então um momento de observar e cobrar ações concretas a respeito, seja ações por parte do Governo seja por parte dos organizadores, seja por parte dos participantes e dos interessados que ocorra um avanço e rápido.

 

Logo estarei postando sobre mais informações sobre a Carta e mais o que ouvi por lá. Para isso acompanhe sempre esse blog.

Tags: , , , , ,

Blog | Comunidade | Eventos | General

Os comentários estão fechados

Posts Antigos

Awards